Previa: Nídia Aranha, artista e diretora criativa, destaca a importância de permanecer relevante no cenário da moda e da arte, subvertendo normas e criando novas narrativas. Seu trabalho reflete uma busca por transformação social e a valorização da cultura brasileira.
A artista, pesquisadora e diretora criativa Nídia Aranha, de 33 anos, tem se destacado no cenário da moda e da arte contemporânea. Com uma abordagem que mistura estética e ativismo, Nídia busca transformar a percepção sobre os corpos e suas representações. Seu trabalho mais recente, a direção criativa do álbum Equilibrivm, da cantora Anitta, é um exemplo claro de como ela utiliza sua arte para provocar reflexões sociais.
Um dos marcos na carreira de Nídia foi a série Ordenha 002, que a levou a ser indicada ao Prêmio Pipa 2021. Neste projeto, ela explorou a lactação autoinduzida em um corpo travesti, desafiando as normas sociais e estéticas que cercam os corpos não conformes. “Foi uma pesquisa intensa, mas que reafirmou meu compromisso com a arte como um campo de investigação radical”, afirma Nídia.
Reconhecimento Internacional e Compromisso com a Cultura Brasileira
Desde 2024, Nídia faz parte da Original Creative Agency, em Los Angeles, tornando-se a primeira brasileira a integrar a equipe que cuida das direções criativas de artistas como Dua Lipa e Cardi B. Para ela, essa conquista é um reflexo da força cultural do Brasil. “É um lembrete de que o Brasil não está correndo atrás do mundo, mas sim, criando novos caminhos”, explica.
O reconhecimento internacional não parou por aí. Em 2024, Nídia foi listada entre as 50 melhores jovens criativas do mundo pelo British Fashion Council e indicada ao Latin American Fashion Awards 2025. Ela destaca que seu foco sempre foi a permanência e a entrega, em vez da busca por reconhecimento imediato. “O espaço que ocupamos muitas vezes é mediado por quem é considerado mais palatável. Meu objetivo é continuar estudando e fortalecendo minha comunidade”, ressalta.
No universo da moda, Nídia tem colaborado com marcas brasileiras renomadas, como Francesca e Lenny Niemeyer, além de contribuir para editoriais e campanhas publicitárias. Ela acredita que desfiles não são apenas plataformas para mostrar roupas, mas sim narrativas visuais que combinam design, som e arquitetura. “Penso na cenografia como dramaturgia espacial”, comenta.
Com uma carreira que abrange também a música, Nídia já trabalhou em festivais como Coachella e Rock in Rio, sempre buscando levar questões simbólicas para o grande público. “Escolhi estar em lugares de grande alcance sem abrir mão da profundidade do que acredito”, afirma. Seu trabalho com Anitta, que começou durante o Global Citizen Festival, foi um processo íntimo que resultou em um projeto que une o sagrado e o humano.
Nídia Aranha reflete sobre a saturação de imagens na era digital e a importância de criar conteúdos significativos. “A imagem não apenas representa o mundo, mas constrói comportamento e organiza desejo”, conclui. Sua visão crítica e inovadora promete continuar influenciando o cenário da moda e da arte no Brasil e no exterior.











