Prévia: O turismo comunitário em Alter do Chão, no Pará, se destaca como uma forma de preservar tradições locais e proteger o meio ambiente, promovendo a valorização da cultura indígena e a sustentabilidade na região.
Alter do Chão, uma vila encantadora no município de Santarém, no Oeste do Pará, tem se tornado um exemplo de como o turismo pode ser uma ferramenta de preservação cultural e ambiental. O casal de indígenas Dórisson Borari e Maria Munduruku transformou sua casa em uma pousada, a Pousada do Mingote, que se orgulha de ser a mais antiga da região, criada em 1997.
Com uma vista privilegiada para o Rio Tapajós e Lago Verde, a pousada não apenas oferece hospedagem, mas também uma experiência que valoriza a cultura local. Dórisson destaca a importância de manter as raízes e as tradições dos povos que habitam a região, utilizando a natureza e a história como base para o turismo.
Proteção do território
O acolhimento do casal aos visitantes não deve ser confundido com passividade. Eles se posicionam firmemente contra ameaças ao seu modo de vida, como a tentativa de transformar áreas destinadas à educação ambiental em condomínios de luxo. Dórisson relata que a área foi embargada e que a intenção é reverter a situação para criar um espaço de educação indígena.
Além disso, a mobilização da comunidade indígena vai além das fronteiras de Alter do Chão. Recentemente, Dórisson participou de uma ocupação em Santarém, reivindicando a revogação de um decreto que poderia abrir caminho para práticas predatórias na Amazônia. A luta pela preservação dos rios e florestas é uma prioridade para os indígenas, que se veem como guardiões da natureza.
Turismo em Alter
A Pousada do Mingote é um exemplo de Turismo de Base Comunitária (TBC), onde a gestão é realizada pelos próprios moradores, garantindo que os benefícios econômicos permaneçam na comunidade. Esse modelo de turismo é fundamental para a economia local, especialmente em uma vila com cerca de 3,6 mil habitantes e cercada por áreas naturais protegidas.
Dados recentes indicam um aumento significativo no número de visitantes em Santarém, com 312 mil turistas em 2025, refletindo a crescente popularidade de Alter do Chão. O Sebrae tem apoiado iniciativas locais, reconhecendo a importância dos pequenos negócios para a sustentabilidade econômica da região.
Vivência na floresta
Outro exemplo de turismo comunitário é a Casa do Eltom, que surgiu de forma improvisada na comunidade de Piquiatuba. Eltom John Vasconcelos transformou a casa da família em um espaço que combina gastronomia regional e experiências de turismo, promovendo a cultura local e a interação com a floresta.
O turismo na região também tem se diversificado, com visitantes brasileiros buscando explorar mais o próprio país, especialmente após a pandemia de Covid-19. Essa mudança tem beneficiado trabalhadores locais, como Davi Sóstenes, que realiza passeios de lancha e compartilha a beleza natural da região com os turistas.
Trilha de saberes
Nenhuma visita à região está completa sem uma trilha guiada por Joacy Rodrigues, que há 20 anos ensina os visitantes sobre os saberes da floresta. Ele compartilha conhecimentos sobre plantas medicinais e usos tradicionais, fortalecendo a conexão entre os turistas e a cultura local.
A união da comunidade em torno do turismo tem gerado resultados positivos, com iniciativas que visam melhorar a qualidade de vida local e promover o desenvolvimento sustentável. Eltom destaca a importância do trabalho em conjunto, enfatizando que, juntos, podem fazer o melhor para quem visita a região.











