Prévia: O Estado brasileiro reconheceu oficialmente as violações sofridas pelos sindicalistas durante a ditadura militar, concedendo anistia política ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. A decisão representa um passo importante na reparação histórica e no reconhecimento dos direitos humanos no país.
Na última quinta-feira, 2 de julho de 2026, a Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania declarou o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes como anistiado político coletivo. O ato simbólico de reconhecimento das perseguições e violências sofridas pelos sindicalistas durante o regime militar (1964-1985) foi um momento marcante para a luta pelos direitos humanos no Brasil.
A presidente da comissão, Ana Maria Lima de Oliveira, pediu desculpas em nome do Estado brasileiro a todos os sindicalistas, ressaltando a importância da resistência do sindicato ao longo dos anos. “Agradecemos por toda resistência deste grande sindicato, que até hoje continua na luta”, afirmou durante a sessão plenária.
Histórico de Violências
O relator do processo, Prudente José Silveira Mello, destacou que a repressão aos sindicatos começou antes mesmo do golpe de 1964. Ele enfatizou que diversas empresas apoiaram o regime militar, promovendo ações que resultaram em graves violações de direitos humanos. “Toda sorte de violência institucional aconteceu decorrente da ditadura civil-militar”, disse Mello, mencionando os assassinatos de dirigentes e militantes do sindicato.
Entre os casos citados, estão os assassinatos de Olavo Hanssen, Luiz Hirata e Manoel Fiel Filho, que foram vítimas da repressão. Mello ressaltou que a perseguição se estendeu ao longo dos anos, com muitas mortes sendo encobertas por versões oficiais que não refletiam a realidade dos fatos.
O relator também sugeriu que empresas que colaboraram com a repressão durante a ditadura devem ser responsabilizadas financeiramente pelas indenizações devidas às vítimas. Ele propôs que o Estado busque ressarcimento das empresas que se beneficiaram da estrutura repressiva, garantindo que o ônus das indenizações não recaia apenas sobre a sociedade.
Testemunhos de Abusos
Geraldino dos Santos Silva, representante do sindicato, compartilhou suas experiências desde que chegou a São Paulo em 1974. Ele relatou os abusos que testemunhou contra trabalhadores e sindicalistas, destacando a brutalidade da repressão. “Era quase impossível mais de três trabalhadores andarem juntos pelo centro de São Paulo sem serem abordados pela polícia”, recordou.
Silva explicou que o Sindicato dos Metalúrgicos se tornou um alvo do regime por sua relevância no movimento trabalhista e na resistência democrática. Ele lembrou como os agentes do Deops monitoravam as atividades do sindicato, criando um ambiente de medo e repressão.
O sindicalista elogiou a decisão da Comissão de Anistia, considerando-a uma reparação histórica justa. “Esta reparação histórica, este reconhecimento a uma instituição que batalhou e sofreu muito, é mais do que justo. É uma honra para nosso sindicato”, concluiu Silva.











