Previa: O mercado de trigo no Sul do Brasil enfrenta baixa liquidez, com preços firmes, mas preocupações sobre a próxima safra. Produtores estão cautelosos devido ao aumento dos custos e incertezas climáticas.
O cenário atual do mercado de trigo na Região Sul do Brasil é marcado por uma baixa liquidez, refletindo a dificuldade de alinhamento entre compradores e vendedores. Os moinhos estão adquirindo menos trigo, o que limita as negociações, enquanto os preços permanecem firmes nos principais estados produtores.
Segundo a TF Agroeconômica, a situação é caracterizada por uma oferta restrita e uma demanda cautelosa. As expectativas para a próxima safra são preocupantes, com desafios relacionados aos custos de produção e ao clima, além da possibilidade de redução da área cultivada.
Rio Grande do Sul registra mercado calmo e preocupação com a próxima safra
No Rio Grande do Sul, o mercado de trigo está praticamente estagnado. Os grandes moinhos não estão realizando compras imediatas, com preços em torno de R$ 1.420 por tonelada, variando conforme a localização e a qualidade do produto.
As indústrias já garantiram suas necessidades para julho e estão focando nas negociações para agosto, o que diminui ainda mais o volume de negócios. Os produtores estão preocupados com o aumento dos custos e os riscos climáticos, especialmente com a possibilidade do retorno do fenômeno El Niño.
Cooperativas nas regiões Central e Noroeste relatam uma redução de até 40% na intenção de plantio. As estimativas da Emater-RS indicam uma produção de cerca de 2,2 milhões de toneladas, bem abaixo das 3,8 a 4 milhões de toneladas da safra anterior, o que poderia resultar em um déficit de 1,9 milhão de toneladas.
Santa Catarina enfrenta dificuldades para comercializar farinha
Em Santa Catarina, os altos preços do trigo estão dificultando a comercialização da farinha. Um lote de trigo melhorador foi negociado a R$ 1.450 por tonelada FOB, mas o restante do mercado permanece travado.
Os preços de referência estão em torno de R$ 1.350 por tonelada FOB, enquanto os moinhos na região leste indicam valores próximos de R$ 1.500 por tonelada CIF. No mercado de balcão, as cotações se mantiveram estáveis, com algumas altas pontuais em Chapecó e São Miguel do Oeste.
Oferta restrita sustenta preços no Paraná
No Paraná, a oferta de trigo continua limitada, o que ajuda a manter os preços. Os moinhos estão trabalhando com preços de R$ 1.450 por tonelada CIF nos Campos Gerais e na região de Curitiba, com valores chegando a R$ 1.480 por tonelada CIF no Norte do Estado.
Os produtores estão pedindo preços a partir de R$ 1.400 por tonelada FOB, enquanto o trigo do Rio Grande do Sul é oferecido entre R$ 1.330 e R$ 1.350 por tonelada FOB. As negociações para a nova safra ainda são pontuais, com referências em torno de R$ 1.400 por tonelada CIF para entregas entre agosto e setembro.
Mercado segue atento ao equilíbrio entre oferta e demanda
O mercado de trigo brasileiro é sustentado pela baixa disponibilidade do produto, mas enfrenta um ambiente de negociações reduzidas. A cautela dos compradores e as dificuldades do setor de moagem para repassar custos ao consumidor são fatores que contribuem para essa situação.
As perspectivas de menor produção no Rio Grande do Sul, somadas às incertezas climáticas e ao alto custo de produção, indicam que o mercado deverá continuar monitorando de perto a evolução da safra e o comportamento da oferta nos próximos meses.











