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Safra recorde de grãos no Brasil pressiona logística e revela gargalos estruturais

O Brasil se prepara para uma safra recorde de grãos, mas a infraestrutura logística enfrenta desafios significativos. Gargalos em armazenagem e transporte podem comprometer a eficiência do escoamento da produção.

Safra recorde de grãos no Brasil pressiona logística e revela gargalos estruturais

Previa: O Brasil se prepara para uma safra recorde de grãos, mas a infraestrutura logística enfrenta desafios significativos. Gargalos em armazenagem e transporte podem comprometer a eficiência do escoamento da produção.

O Brasil está prestes a alcançar uma safra histórica em 2025/26, com uma produção estimada em 356,3 milhões de toneladas de grãos, conforme o 6º Levantamento da Conab. Essa marca reforça a posição do país como um dos maiores produtores globais, mas também intensifica a pressão sobre a infraestrutura logística, que já apresenta fragilidades.

O agronegócio, que representa cerca de 25% do PIB brasileiro, enfrenta um desafio estrutural: como escoar volumes recordes de forma eficiente e com custos competitivos. O novo relatório “Retrato da Logística de Grãos do Brasil em 2026”, elaborado pela nstech, destaca os gargalos em armazenagem, transporte e integração modal, além de enfatizar a tecnologia como um fator crucial para a competitividade do setor.

Desafios na Matriz de Transportes

Estudos indicam que, em 2023, o modal rodoviário era responsável por 69% do escoamento da soja, seguido por ferrovias (22%) e hidrovias (9%). Projeções para 2025 sugerem uma leve mudança, com as ferrovias aumentando sua participação para 25%, enquanto as rodovias devem recuar para 66%. Apesar dos avanços, a dependência do transporte rodoviário continua a ser um fator de ineficiência.

“Mesmo com o avanço da intermodalidade, ainda há um excedente estimado de 70 mil caminhões em rotas de longa distância”, afirma Thiago Cardoso, diretor de agronegócio da nstech.

A transformação do agronegócio brasileiro também inclui um aumento na produção de coprodutos e itens de maior valor agregado. A produção de DDG/DDGS deve alcançar 4,9 milhões de toneladas na safra 2025/26, com potencial de atingir 11 milhões até 2030. Essa mudança requer maior controle logístico e rastreabilidade, aumentando a complexidade operacional dos terminais.

Frete de Retorno e Custos Logísticos

Para reduzir o impacto do transporte, que pode representar até 20% do custo de produção, o setor tem adotado o modelo de “frete de retorno”. Nesse sistema, caminhões que transportam grãos para os portos retornam carregados com insumos agrícolas. O corredor do Porto de Porto do Itaqui, por exemplo, agora integra operações portuárias à malha ferroviária nacional, facilitando o fluxo de fertilizantes.

O Arco Norte, que já representa 36,2% das exportações de soja e 39,3% de milho, continua a se expandir, com portos estratégicos como Santarém e São Luís. No entanto, a combinação de uma supersafra e a regulação dos pisos mínimos de frete pela ANTT resultou em volatilidade nos preços do transporte, com o frete rodoviário atingindo picos históricos.

Gargalos de Armazenagem e Sustentabilidade

A capacidade de armazenagem no Brasil é um dos principais entraves do agronegócio, com um déficit estimado de 132 milhões de toneladas. Enquanto os Estados Unidos conseguem armazenar até 150% de sua produção, o Brasil opera com apenas 50%, forçando o escoamento imediato durante a colheita e elevando a demanda por transporte em períodos de frete alto.

A sustentabilidade também se torna um fator crucial na competitividade do agronegócio. Regulamentos como o EUDR elevam as exigências de rastreabilidade e georreferenciamento, tornando a conformidade ambiental uma necessidade comercial. O transporte rodoviário, que emite significativamente mais CO₂ em comparação aos modais ferroviário e hidroviário, enfrenta pressão crescente para se tornar mais sustentável.

Digitalização como Solução

A digitalização da cadeia logística surge como uma alternativa para enfrentar os gargalos estruturais. O uso de plataformas integradas de gestão de transporte pode proporcionar maior visibilidade e controle operacional, além de otimizar rotas. A inteligência de dados se torna uma condição operacional essencial, onde a falta de medição pode resultar em custos mais altos.

A adoção de sistemas integrados de supply chain e ferramentas de rastreabilidade é fundamental para reduzir custos e aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro no cenário global, especialmente em um momento em que a eficiência logística se torna cada vez mais necessária.

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