Prévia: A audiência de instrução do tenente-coronel da Polícia Militar, acusado de feminicídio, teve início em São Paulo, com a expectativa de que o caso se consolide como um assassinato. O réu é acusado de matar sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, em um episódio que levanta questões sobre a violência de gênero.
A audiência começou na manhã desta segunda-feira (29) no Complexo Judiciário Ministro Mário Guimarães, em São Paulo. O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto está preso sob a acusação de feminicídio e fraude processual, após a morte de sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, em fevereiro deste ano.
Gisele foi encontrada morta em seu apartamento, com um tiro na cabeça. Inicialmente, o tenente-coronel relatou o caso como um suicídio, mas a versão foi alterada para morte suspeita após investigações. O caso gerou grande repercussão e levantou discussões sobre a violência contra a mulher e a proteção das vítimas.
A audiência e as testemunhas
No total, foram convocadas 40 testemunhas para a audiência, que deve durar cerca de cinco dias. O réu será interrogado na sexta-feira (3). Durante a fase de instrução, as provas que fundamentarão a decisão judicial serão apresentadas.
Devido ao expediente remoto da Justiça de São Paulo, em razão do jogo do Brasil na Copa do Mundo, a audiência teve início de forma virtual, com a oitiva de duas testemunhas de acusação, incluindo o delegado responsável pelo inquérito. Nos dias seguintes, as audiências ocorrerão presencialmente.
O advogado Miguel José da Silva Junior, que representa a família de Gisele, destacou que, apesar de ainda faltarem várias testemunhas a serem ouvidas, as evidências estão se consolidando em direção à caracterização do caso como feminicídio. A defesa da família sempre sustentou que a versão de suicídio não se sustentava.
“Está se comprovando que, realmente, estamos diante de um feminicídio e não de um suicídio, tese desde o início aventada pela família.”
O desdobramento deste caso é crucial para a discussão sobre a violência de gênero no Brasil, especialmente em um contexto onde a proteção das mulheres ainda é um desafio. A sociedade aguarda com expectativa os próximos passos do processo judicial e as decisões que serão tomadas em relação ao tenente-coronel.











