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Pioneiras do futebol feminino compartilham histórias no programa Sem Censura da TV Brasil

No programa Sem Censura, três ícones do futebol feminino brasileiro relembraram sua trajetória em um esporte que enfrentou décadas de proibição.

Pioneiras do futebol feminino compartilham histórias no programa Sem Censura da TV Brasil

Previa: No programa Sem Censura, três ícones do futebol feminino brasileiro relembraram sua trajetória em um esporte que enfrentou décadas de proibição. A conversa trouxe à tona conquistas e desafios que moldaram a história do futebol feminino no Brasil.

O programa Sem Censura, da TV Brasil, recebeu na última sexta-feira (26) três mulheres que marcaram a história do futebol feminino no Brasil. Marilza Martins da Silva, conhecida como Pelezinha, Marisa Pires, a Caju, e Márcia Matos, a Russa, compartilharam suas experiências em um esporte que foi proibido por decreto do presidente Getúlio Vargas nos anos 1940 e só foi regularizado em 1980.

As ex-atletas, que fizeram parte do Esporte Clube Radar, fundado em 1932 em Copacabana, Rio de Janeiro, destacaram a importância de suas trajetórias para o desenvolvimento do futebol feminino no país. Sob a liderança do empresário Eurico Lyra, o Radar foi pioneiro na inclusão da modalidade feminina, servindo como base para a seleção brasileira nos anos 80.

Memórias e Conquistas

Pelezinha recordou com emoção o momento em que recebeu a notícia de que representaria a Seleção Brasileira Feminina na China em 1988. “É uma emoção você ir pra a China”, disse, refletindo sobre a importância de ter a camisa da seleção. Para ela, a convocação foi um sonho realizado, mesmo que na época não soubesse que o futebol feminino poderia ter um mundial.

Marisa Pires, a primeira capitã da seleção, também compartilhou suas lembranças. Em resposta a uma pergunta de uma telespectadora, ela destacou que os estádios sempre foram lotados, desmistificando a ideia de que o público não apoiava o futebol feminino. “Todos queriam assistir aos jogos, para ver se as mulheres jogavam bem”, afirmou.

As dificuldades financeiras enfrentadas pelas jogadoras na época também foram abordadas. Caju lembrou que, apesar da paixão pelo esporte, as atletas não recebiam salários fixos, mas sim um “bicho” por partida. Essa realidade, segundo ela, foi um dos fatores que impulsionou a luta pelo reconhecimento e valorização do futebol feminino.

Reconhecimento e Futuro

Recentemente, uma lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva prevê o pagamento de R$ 500 mil para as atletas que representaram o Brasil entre 1988 e 1991. Caju expressou sua gratidão pelo reconhecimento tardio, mas significativo. “Foram 38 anos esperando. Ele veio tarde, mas veio muito bem”, disse, emocionada.

Pelezinha e Russa também destacaram a importância da jogadora Marileia dos Santos, conhecida como Michel Jackson, que atuou nos bastidores para garantir que as pioneiras fossem beneficiadas pela nova lei. “Ela foi incansável. Correu atrás e conseguiu que as atletas pioneiras do futebol feminino fossem beneficiadas”, comemorou Russa.

As histórias compartilhadas no programa refletem não apenas as conquistas individuais, mas também a luta coletiva por reconhecimento e igualdade no esporte. As ex-atletas expressaram sua esperança de que as novas gerações possam desfrutar de um futebol feminino mais valorizado e respeitado.

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