Previa: O mercado de milho no Brasil enfrenta dificuldades com negociações limitadas, enquanto a Bolsa de Chicago reage a fatores climáticos e à demanda dos Estados Unidos. A expectativa é de que a colheita da safrinha traga mudanças no cenário atual.
O mercado brasileiro de milho se aproxima do final da semana com transações restritas, refletindo a cautela de compradores e vendedores. A colheita da segunda safra avança lentamente, e tanto os consumidores quanto os produtores adotam posturas conservadoras. Indústrias estão comprando apenas volumes pontuais, enquanto os agricultores evitam vender grandes quantidades, esperando melhores preços nas próximas semanas.
A lentidão nas negociações é agravada pelas chuvas recentes, que dificultam o trabalho de campo em várias regiões produtoras. Apesar disso, a expectativa é de que a colheita da safrinha se intensifique nos próximos dias, aumentando a disponibilidade do cereal no mercado.
Compradores e oferta no mercado interno
Os consumidores mantêm estoques considerados confortáveis e priorizam compras apenas para reposição imediata. Essa estratégia reflete a expectativa de um aumento na oferta devido à colheita, antes de decidirem por aquisições maiores.
Por outro lado, os produtores estão relutantes em realizar vendas significativas. Eles buscam preservar os preços, acreditando que a evolução da comercialização da safrinha pode resultar em um mercado mais favorável.
Preços do milho nas principais regiões
Os preços do milho permaneceram estáveis nas principais praças de comercialização:
- Porto de Santos (CIF): R$ 65,00 a R$ 67,00 por saca;
- Porto de Paranaguá: R$ 65,00 a R$ 67,00 por saca;
- Cascavel (PR): R$ 57,00 a R$ 59,00;
- Mogiana (SP): R$ 55,00 a R$ 60,00;
- Campinas (SP – CIF): R$ 63,50 a R$ 65,00;
- Erechim (RS): R$ 66,50 a R$ 68,00;
- Uberlândia (MG): R$ 57,00 a R$ 59,00;
- Rio Verde (GO – CIF): R$ 53,00 a R$ 56,00;
- Rondonópolis (MT): R$ 47,00 a R$ 51,00 por saca.
Movimentações em Chicago
Enquanto o mercado brasileiro permanece inerte, a Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) registrou uma recuperação nas últimas sessões. Essa alta foi impulsionada pela demanda crescente pelo milho norte-americano e preocupações climáticas nas principais áreas produtoras dos EUA.
Os investidores estão atentos a uma onda de calor prevista para o Corn Belt, com temperaturas que podem chegar a 38°C. Esse calor, que deve persistir até o início de julho, é crítico para o desenvolvimento das lavouras, e as previsões de chuvas podem aliviar o estresse térmico.
Exportações e contratos futuros
As exportações dos Estados Unidos também contribuíram para um cenário positivo. Dados recentes mostraram vendas líquidas de 743,1 mil toneladas na semana encerrada em 18 de junho, com o México sendo um dos principais compradores.
Os contratos futuros de milho apresentaram valorização, com o contrato de setembro encerrando a US$ 4,24¼ por bushel, uma alta de 2,04%. No entanto, oscilações técnicas foram observadas, influenciadas pela queda do petróleo, que diminui a atratividade da produção de etanol.
Perspectivas futuras
O mercado brasileiro de milho deve continuar com um ritmo lento até que a colheita da safrinha avance de forma mais consistente. A resistência dos produtores em vender, aliada a compradores abastecidos e a expectativa de maior oferta, deverá continuar a influenciar os preços.
No cenário internacional, as condições climáticas nos Estados Unidos e o desempenho das exportações norte-americanas permanecerão como fatores cruciais que impactarão as cotações na Bolsa de Chicago e, por consequência, o mercado global de milho.











