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Empresa de sócio preso pela PF recebe R$ 10,2 milhões da Prefeitura de SP

A Prefeitura de São Paulo já investiu R$ 10,2 milhões na compra de filtros capacitivos da Blink Brasil, empresa cujo sócio-administrador está preso sob investigação da Polícia Federal.

Empresa de sócio preso pela PF recebe R$ 10,2 milhões da Prefeitura de SP

Previa: A Prefeitura de São Paulo já investiu R$ 10,2 milhões na compra de filtros capacitivos da Blink Brasil, empresa cujo sócio-administrador está preso sob investigação da Polícia Federal. O caso levanta questões sobre a transparência e a legalidade das contratações públicas.

A administração municipal de São Paulo desembolsou R$ 10,2 milhões para a aquisição de filtros capacitivos fornecidos pela Blink Brasil. O sócio-administrador da empresa, Tales Mariano Carvalho da Silva, foi preso em março deste ano durante uma operação da Polícia Federal, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro. A operação resultou na apreensão de R$ 2,7 milhões em dinheiro vivo.

Os dados sobre a contratação foram obtidos através de documentos da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (SIURB). Os recursos foram destinados à instalação de 563 equipamentos em 130 escolas da rede municipal, com o objetivo de melhorar a qualidade da energia elétrica nas unidades de ensino.

Detalhes da Contratação

A aquisição dos filtros foi realizada por meio de um pregão eletrônico, onde a proposta de menor preço é a vencedora. A Blink Brasil foi escolhida entre cinco concorrentes, segundo informações da secretaria. A compra está vinculada à Ata de Registro de Preços nº 001/SIURB/25, que permite à administração pública registrar preços para futuras contratações, sem a necessidade de executar todo o valor de imediato.

A ata estabelece um teto de R$ 109.059.960, prevendo a aquisição de até 6 mil filtros capacitivos. Até o momento, a prefeitura informou que foram executados R$ 10,2 milhões, representando apenas uma parte do total previsto.

Investigação da Polícia Federal

Tales Mariano Carvalho da Silva, sócio-administrador da Blink Brasil, está sob investigação da Polícia Federal por supostas atividades ilícitas. A operação que resultou em sua prisão visava desarticular uma organização suspeita de movimentar recursos de origem ilegal. Documentos e equipamentos eletrônicos também foram apreendidos durante a ação.

A polícia investiga se os valores apreendidos têm origem em atividades criminosas e se foram utilizados mecanismos para ocultar sua procedência. A situação levanta preocupações sobre a integridade das contratações feitas pela prefeitura.

Comparação de Preços

Uma análise de documentos públicos revela que o valor pago pela prefeitura é superior ao de outras contratações semelhantes. Em um contrato do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Sorocaba, a mesma empresa registrou filtros capacitivos a R$ 14,8 mil cada. Além disso, uma pesquisa de preços realizada em maio de 2025 indicou um valor médio de R$ 15,2 mil para equipamentos similares.

Isso significa que o preço unitário registrado na ata da prefeitura é cerca de 19% maior do que a média identificada. Apesar dessa discrepância, não foram encontradas evidências de irregularidades na formação de preços pela administração municipal até o momento.

Posicionamento da Prefeitura

A SIURB declarou que a contratação seguiu todos os trâmites legais e que os equipamentos estão em funcionamento nas escolas. A secretaria ressaltou que o processo foi realizado por meio de um pregão eletrônico com a participação de cinco empresas e que a proposta da Blink Brasil foi a vencedora.

Segundo a prefeitura, não há impedimentos legais para a contratação e todas as obrigações estão sendo cumpridas. Os filtros possuem certificações de instituições reconhecidas, como o Inmetro e a Universidade de São Paulo (USP). A administração municipal também afirmou que o contrato é monitorado e fiscalizado durante sua vigência.

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