Previa: O preço do milho apresenta alta tanto no mercado internacional quanto na Bolsa Brasileira, impulsionado pela valorização do trigo, um dólar forte e o atraso na colheita da safrinha. Esses fatores têm gerado expectativas sobre a continuidade da valorização do cereal.
O mercado do milho iniciou a quarta-feira (24) em alta, refletindo uma série de fatores que têm sustentado as cotações. A valorização do trigo nos Estados Unidos, o fortalecimento do dólar em relação ao real e o ritmo mais lento da colheita da segunda safra brasileira são os principais elementos que influenciam esse cenário.
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros do milho operavam em campo positivo, com destaque para o desempenho do trigo. As preocupações com as condições da safra de trigo de inverno nos Estados Unidos aumentaram a demanda por contratos do grão, impactando diretamente o mercado do milho.
Desempenho na B3
No Brasil, os futuros do milho também mostraram valorização na abertura dos negócios. O contrato para julho de 2026 era negociado a R$ 63,88 por saca, com um leve avanço de 0,05%. O vencimento para setembro de 2026 subia 0,15%, cotado a R$ 67,30, seguindo a tendência observada na sessão anterior.
A valorização do dólar tem contribuído para tornar as vendas mais atrativas para os produtores. Além disso, os dados de colheita divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) têm oferecido suporte adicional aos preços, refletindo um cenário de expectativa positiva.
Na terça-feira (23), o contrato de julho de 2026 encerrou a sessão a R$ 63,80 por saca, com um ganho diário de R$ 0,15. O vencimento de setembro fechou a R$ 67,19, enquanto novembro terminou cotado a R$ 70,60 por saca, consolidando uma sequência de ajustes positivos.
Desafios na colheita da safrinha
O ritmo da colheita da segunda safra é um dos principais fatores que os agentes do mercado estão monitorando. Em várias regiões produtoras, as condições climáticas têm dificultado o avanço dos trabalhos, reduzindo a oferta imediata e sustentando os preços.
No Paraná, um dos maiores produtores do país, a elevada umidade tem interrompido as operações em diversas áreas. Até o momento, a colheita alcançou apenas 1% da área cultivada, bem abaixo da média histórica de 8,2% para o período.
Em Mato Grosso do Sul, a situação é semelhante, com apenas 1% da área colhida. Os preços variam entre R$ 49,00 e R$ 52,00 por saca, enquanto a demanda do setor de bioenergia continua a ser um fator importante de sustentação para o mercado regional.
Liquidez no mercado físico
No Rio Grande do Sul, o mercado apresenta baixa liquidez, com negócios sendo realizados de forma pontual. As indicações de compra e venda variam entre R$ 57,00 e R$ 63,00 por saca, com uma média estadual próxima de R$ 58,91, ligeiramente abaixo da semana anterior.
A colheita no estado já atingiu 99% da área cultivada, restando apenas áreas isoladas para a conclusão dos trabalhos. Em Santa Catarina, as ofertas estão ao redor de R$ 65,00 por saca, enquanto a demanda gira em torno de R$ 60,00, refletindo uma situação semelhante à observada no Paraná.
Expectativas futuras
O mercado permanece atento ao comportamento do dólar, ao avanço da colheita da safrinha e às condições das lavouras nos Estados Unidos. A combinação desses fatores deve continuar a influenciar a formação dos preços nas próximas semanas.
Enquanto o cenário internacional encontra suporte na valorização do trigo e em preocupações climáticas, o mercado brasileiro observa de perto o ritmo da colheita e a capacidade de escoamento da produção. Esses elementos poderão definir a intensidade dos movimentos de alta ou acomodação dos preços do milho no curto prazo.











