Prévia: O mercado internacional de soja apresenta recuperação, impulsionado pela valorização do farelo e pela demanda externa. No Brasil, a alta do dólar favorece as exportações, mas desafios logísticos ainda limitam os avanços nos preços internos.
Na manhã desta quarta-feira, 24 de junho, os contratos futuros da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) registraram alta, com os principais vencimentos avançando entre 1,75 e 2,25 pontos. O contrato de julho era negociado a US$ 11,19 por bushel, enquanto o de novembro alcançava US$ 11,44 por bushel. O farelo de soja também apresentou ganhos, superando 0,5%, enquanto o óleo de soja teve uma leve queda.
Fatores que influenciam o mercado
O mercado continua sendo impactado por uma combinação de fatores climáticos e geopolíticos. As previsões meteorológicas para o cinturão agrícola dos Estados Unidos são monitoradas de perto, especialmente em um período crucial para o desenvolvimento das lavouras. Além disso, a expectativa em torno do relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado em 30 de junho, gera atenção entre os investidores.
Na sessão anterior, os contratos de soja apresentaram um fechamento misto. O vencimento de julho subiu 0,11%, enquanto agosto teve um leve aumento de 0,13%. O farelo de soja também se valorizou, reforçando o suporte ao complexo, enquanto o óleo recuou 0,79%.
Impacto do dólar e desafios logísticos
No Brasil, a valorização do dólar em relação ao real tem sido um fator crucial para a competitividade das exportações de soja. A moeda americana mais forte estimula a comercialização, mas o cenário interno ainda enfrenta desafios devido à alta disponibilidade de grãos. A colheita recorde e o ritmo acelerado de embarques nos portos geram pressão sobre o mercado físico.
A logística é um ponto crítico, especialmente no Paraná, onde a colheita do milho safrinha está em andamento, aumentando a demanda por escoamento dos estoques de soja. Em Mato Grosso, a colheita do milho já atingiu 20,86% da área cultivada, intensificando os gargalos de armazenagem e pressionando os preços.
Perspectivas regionais e exportações
No Rio Grande do Sul, a colheita da soja está praticamente concluída, com preços estáveis em R$ 133 por saca. O estado observa as perspectivas para a próxima safra e as exportações. Em Santa Catarina, os preços subiram, com negócios em São Francisco do Sul alcançando R$ 131 por saca, enquanto os produtores estão atentos aos alertas de geadas que podem impactar as culturas de inverno.
As perspectivas para o complexo soja brasileiro permanecem positivas. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) elevou sua projeção de processamento para 63 milhões de toneladas em 2026 e estima exportações recordes de 114,1 milhões de toneladas, solidificando a posição do Brasil como um dos principais fornecedores globais da commodity.
Com um cenário que envolve clima, comportamento do dólar e capacidade logística, o mercado de soja deve continuar a ser influenciado por esses fatores nas próximas semanas, determinando a direção dos preços e a dinâmica das exportações.











