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Governo inicia Censo Nacional da População em Situação de Rua em cinco capitais

O governo federal anunciou o primeiro Censo Nacional da População em Situação de Rua, que será realizado em cinco capitais brasileiras.

Governo inicia Censo Nacional da População em Situação de Rua em cinco capitais

Prévia: O governo federal anunciou o primeiro Censo Nacional da População em Situação de Rua, que será realizado em cinco capitais brasileiras. A iniciativa visa mapear o perfil dessa população e subsidiar políticas públicas mais eficazes.

Na última terça-feira (23), em Brasília, o governo federal lançou as ações preparatórias para o inédito Censo Nacional da População em Situação de Rua, promovido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O evento, realizado no Palácio da Justiça, teve como objetivo divulgar ações que garantam direitos e ampliem o acesso a serviços públicos para essa população vulnerável.

O censo, que ocorrerá entre 3 e 7 de julho de 2028, será um marco na contagem demográfica do Brasil, que até então não incluía pessoas sem domicílio fixo. O levantamento irá mapear, de forma padronizada, o perfil demográfico e socioeconômico dessa população, fornecendo dados essenciais para a formulação de políticas públicas mais eficazes.

Capitais participantes

A primeira etapa do censo abrangerá cinco capitais, uma em cada região do país: Belo Horizonte, Goiânia, Florianópolis, Manaus e Salvador. Segundo Márcio Pochmann, presidente do IBGE, essa mudança na metodologia representa um avanço significativo, pois permitirá que a população em situação de rua seja incluída nos índices oficiais.

Pochmann enfatizou que a inclusão desses dados é fundamental para a construção de políticas públicas que atendam às necessidades reais dessa população. “A partir de agora, nós teremos a informação que inclui os brasileiros que não têm um domicílio fixo”, afirmou.

Impacto nas políticas públicas

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, destacou que a iniciativa do IBGE vai estruturar políticas públicas mais eficientes, baseadas em dados concretos. Ele ressaltou que o censo permitirá que a população em situação de rua deixe de ser invisível nas estatísticas, possibilitando um direcionamento mais eficaz das políticas sociais.

A ministra do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, também comentou sobre a importância do censo, prevendo que os dados obtidos servirão como referência para outros países que enfrentam problemas semelhantes. “Precisamos aprimorar a metodologia e discutir isso com os outros países”, afirmou.

Superando distorções

A confirmação do censo foi celebrada como uma vitória por Padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua. Ele destacou que a contagem oficial é um passo importante para corrigir distorções nas estatísticas demográficas, que muitas vezes são manipuladas por gestões municipais. “O censo [municipal] é muito manipulado, segundo o interesse da prefeitura de diminuir o número”, afirmou Lancellotti.

Com a realização do censo pelo IBGE, espera-se que as distorções metodológicas que invisibilizam a população em situação de rua sejam corrigidas, proporcionando uma visão mais realista da situação enfrentada por essas pessoas.

A confirmação do primeiro Censo Nacional da População em Situação de Rua é vista como uma conquista significativa na luta por direitos e cidadania. Anderson Miranda, presidente do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política para Inclusão Social da População em Situação de Rua, ressaltou a importância de incluir essa população nos dados censitários, afirmando que “não falar da população de rua é um ‘não’ à garantia” de seus direitos.

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