Prévia: A linguagem Pajubá, historicamente estigmatizada, é agora reconhecida como um patrimônio linguístico essencial para a comunidade LGBTQIA+. O Museu da Diversidade Sexual promove um debate sobre sua importância e resgate cultural.
A linguagem Pajubá, com quase um século de história, se destaca como uma ferramenta vital de comunicação e proteção para a comunidade LGBTQIA+, especialmente entre pessoas transgêneras e travestis, predominantemente negras. Em um contexto de celebração do Mês do Orgulho, o Museu da Diversidade Sexual (MDS) promove uma discussão aberta sobre o reconhecimento do Pajubá como patrimônio linguístico.
Originada para cifrar conversas dentro da comunidade, a linguagem ganhou força durante a Ditadura Militar. O vocabulário do Pajubá é uma rica mistura de termos de línguas africanas, como o iorubá e o banto, além de influências do francês, italiano, espanhol e inglês. A própria etimologia da palavra “pajubá”, que significa segredo ou conversa em iorubá, reflete sua função original de proteção e comunicação.
Estigmatização e Resgate Cultural
Apesar de sua importância, a linguagem enfrentou estigmatização, especialmente por ser associada a trabalhadoras sexuais travestis. Amara Moira, escritora e curadora da Masterclass Pajubá, destaca que a própria comunidade frequentemente se distanciou dessa linguagem, considerando-a marginal. “Hoje, a gente pode sentir orgulho dela, mas é importante pensar que até algum tempo atrás essa era uma linguagem estigmatizada”, afirma.
Com a diminuição da discriminação contra pessoas LGBTQIA+, o uso do Pajubá começou a declinar, especialmente entre as gerações mais jovens, o que contribuiu para seu esquecimento. Amara argumenta que é fundamental relembrar essa linguagem, pois ela representa um importante recorte da vida da comunidade. “Olhar para essas palavras é também pensar o que estava no horizonte e quais eram as necessidades e urgências [da comunidade]”, explica.
Nos últimos anos, o Pajubá tem ressurgido por meio de diversas produções artísticas, como cinema, teatro, música e literatura. Amara acredita que essa pode ser a chave para revitalizar a linguagem e garantir que sua rica história não seja perdida. “O novo caminho para o Pajubá pode ser justamente esse”, conclui.
O encontro promovido pelo MDS ocorrerá às 19h, no Centro de Empreendedorismo e Pesquisa do museu, localizado na Rua do Arouche, 24, na República. A discussão é uma oportunidade para refletir sobre a importância da diversidade linguística e cultural na luta pelos direitos humanos.











