Previa: O mercado de mandioca apresenta uma leve recuperação nos preços após um longo período de quedas, impulsionada por ajustes na oferta e demanda. Fatores climáticos e decisões estratégicas dos produtores também influenciam o cenário atual.
Após dez semanas seguidas de queda, o mercado de mandioca começa a mostrar sinais de recuperação em algumas regiões do Brasil, conforme dados do Cepea. Essa reação nos preços está diretamente ligada a um ajuste entre a oferta e a demanda, em um contexto de menor disponibilidade de matéria-prima em determinadas áreas.
Embora as condições climáticas tenham melhorado em várias regiões produtoras, o avanço da colheita e a comercialização da mandioca não ocorreram conforme o esperado. Essa situação limitou a oferta no curto prazo, contribuindo para a recuperação dos preços após um período prolongado de baixa.
Oferta mais restrita e mudança de estratégia no campo
O Cepea aponta dois fatores principais que explicam o recente equilíbrio no mercado de mandioca. Primeiro, há uma menor disponibilidade de raízes de 2º ciclo em algumas regiões. Em segundo lugar, a redução do ritmo de colheita se deve à priorização do plantio em áreas específicas pelos produtores.
Essa combinação de fatores resultou em uma oferta temporariamente restrita para a indústria, ajudando a sustentar os preços após semanas de desvalorização.
Produtores avaliam redução de área para a próxima safra
No campo, os produtores estão considerando uma possível redução na área cultivada com mandioca para a próxima safra. Essa decisão é influenciada por diversos fatores, como a limitação de terras disponíveis para arrendamento e o aumento dos custos de arrendamento, especialmente no Paraná.
Além disso, a alta nos custos de insumos agrícolas e a baixa rentabilidade observada nas últimas safras têm levado os agricultores a reavaliar seus investimentos na cultura da mandioca.
Clima pode influenciar oferta e preços no médio prazo
O cenário climático é outro elemento que pode impactar o mercado de mandioca nos próximos meses. A possível intensificação do fenômeno El Niño pode afetar a produção no país, especialmente nas regiões Centro-Sul e Nordeste.
No Centro-Sul, a alternância entre chuvas e períodos secos pode prejudicar o desenvolvimento das lavouras. Já no Nordeste, a redução das chuvas pode comprometer o ritmo de produção e comercialização da mandioca.
Esses fatores climáticos são cruciais para a oferta de raízes e, consequentemente, para a formação dos preços no mercado interno, o que exige atenção dos produtores e dos agentes do setor.











