Previa: O mercado do cacau começa a se recuperar após anos de instabilidade, com projeções de superávit na safra 2024/25. A indústria brasileira de chocolates se destaca pela adoção de tecnologias que garantem a qualidade do produto, mesmo diante das variações na matéria-prima.
Após um período de forte oscilação, a cadeia produtiva do cacau apresenta sinais de recuperação. Dados da Organização Internacional do Cacau (ICCO) indicam que o déficit da safra 2023/24 foi revertido, prevendo-se um superávit de 48 mil toneladas na safra 2024/25. A produção global deve alcançar cerca de cinco milhões de toneladas, embora ainda esteja sujeita a riscos climáticos e produtivos.
A Costa do Marfim, maior produtor mundial de cacau, projeta um crescimento de 10,5% na safra 2025/26, com uma produção estimada entre 2 e 2,1 milhões de toneladas. No entanto, o setor continua a enfrentar desafios como o envelhecimento das lavouras e as variações climáticas, que podem impactar a oferta global.
Indústria Brasileira e Inovação Tecnológica
No Brasil, a produção de chocolates também está em ascensão. A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (ABICAB) reportou um aumento na produção nacional, que passou de 806 mil toneladas em 2024 para 814 mil toneladas em 2025. Este crescimento destaca a importância de tecnologias industriais que asseguram a qualidade do chocolate, mesmo com as flutuações na matéria-prima.
Processos químicos desempenham um papel crucial na padronização do chocolate. Renan Coelho, diretor comercial da Katrium Indústrias Químicas, enfatiza que a qualidade do chocolate vai além do cacau, dependendo da capacidade da indústria de controlar suas variações naturais. A tecnologia é fundamental para transformar essa variabilidade em um produto consistente.
Um dos processos relevantes é a alcalinização do cacau, que altera propriedades como pH e cor, melhorando o sabor e a solubilidade do produto. Estudos indicam que esse processo pode reduzir a acidez, suavizar notas amargas e intensificar a coloração marrom, tornando o cacau mais adequado para diversas aplicações industriais.
Estabilidade e Qualidade na Indústria Alimentícia
Além do chocolate em barra, a padronização do cacau se estende a outros produtos alimentícios, como achocolatados em pó, sorvetes e biscoitos. A estabilidade de cor, sabor e dissolução é essencial para a produção em larga escala, garantindo que o consumidor final receba um produto de qualidade.
Mesmo com a recuperação da oferta global de cacau, a química aplicada continua sendo vital para a indústria. Coelho ressalta que a função da química não é substituir a qualidade da matéria-prima, mas sim garantir estabilidade e previsibilidade nos processos industriais. Assim, a inovação ocorre nos bastidores da produção, assegurando a consistência do produto, independentemente das oscilações do mercado agrícola.











