Previa: O mercado global de açúcar enfrenta uma queda acentuada, influenciada por um dólar forte, preços do petróleo em baixa e aumento da oferta. No Brasil, o açúcar cristal também registra perdas significativas, refletindo um cenário desafiador para os produtores.
O cenário do açúcar no mercado internacional continua a ser pressionado por fatores econômicos e climáticos. Na última quinta-feira (18), as principais bolsas registraram queda nos preços da commodity, que se acentuou nesta sexta-feira (19). A combinação de um dólar fortalecido e a diminuição dos preços do petróleo são os principais responsáveis por essa desvalorização.
Os contratos futuros do açúcar bruto na Bolsa de Nova York fecharam em baixa, com o contrato de julho/26 cotado a 13,59 centavos de dólar por libra-peso. Na ICE Futures Europe, o açúcar branco também apresentou recuos significativos, com o contrato de agosto/26 a US$ 445,30 por tonelada.
Impactos da oferta e demanda no mercado
A pressão sobre os preços do açúcar é intensificada pela maior oferta no mercado. A valorização do dólar tem reduzido a competitividade das commodities, o que afeta a demanda global. Além disso, a queda nos preços do petróleo torna o etanol menos atrativo, levando as usinas a direcionarem mais cana-de-açúcar para a produção de açúcar.
No Brasil, o açúcar cristal também enfrenta um cenário desfavorável. O indicador do Cepea/Esalq mostrou que a saca de 50 quilos foi negociada a R$ 90,75, uma queda de 0,80% em relação ao dia anterior. Ao longo de junho, o indicador acumulou uma retração de 2,42%, refletindo a maior disponibilidade do produto e a cautela dos compradores.
Fatores climáticos em foco
Embora os fatores macroeconômicos dominem o cenário atual, os riscos climáticos também estão no radar dos investidores. Na Índia, o déficit de chuvas durante as monções levanta preocupações sobre a próxima safra. Dados meteorológicos indicam que as precipitações estão abaixo da média histórica, o que pode impactar o desenvolvimento dos canaviais.
Além disso, o fenômeno El Niño, que está se formando no Oceano Pacífico, pode afetar o regime de chuvas em regiões produtoras de açúcar, como Brasil e Tailândia. Historicamente, o El Niño tem causado alterações climáticas que podem influenciar a produtividade agrícola e, consequentemente, a oferta e demanda da commodity.
Mercado de etanol e perspectivas futuras
Enquanto o açúcar enfrenta desafios, o mercado de etanol registrou uma leve recuperação. O etanol hidratado foi negociado a R$ 2.348,50 por metro cúbico, com um avanço de 0,13% em relação ao dia anterior. No entanto, a retração acumulada no mês ainda é de 0,13%, refletindo um ambiente de maior oferta.
As próximas semanas devem ser cruciais para o mercado do açúcar, que permanecerá sensível a fatores externos. A evolução do dólar, os preços do petróleo e as condições climáticas nas principais regiões produtoras continuarão a influenciar as cotações. A expectativa de aumento da oferta global mantém a pressão sobre os preços, mas eventuais problemas climáticos podem alterar rapidamente esse cenário.











