Previa: O bicudo da cana, uma das principais pragas da canavicultura, mobiliza o setor sucroenergético em busca de soluções integradas. Um encontro recente em Ribeirão Preto promoveu a criação de uma rede colaborativa para enfrentar os desafios impostos pela praga.
O Sphenophorus levis, conhecido como bicudo da cana, continua a ser uma preocupação crescente entre produtores e usinas no Brasil. Recentemente, o tema foi debatido na edição especial da Nexfera, realizada em Ribeirão Preto (SP), que reuniu especialistas do setor sucroenergético, pesquisadores e consultores. O evento teve como foco a necessidade de integrar pesquisa e prática no campo para enfrentar os desafios da canavicultura.
Promovido pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), o encontro visou fortalecer a colaboração entre diferentes elos da cadeia produtiva. A diretora de Marketing do CTC, Suzeti Ferreira, enfatizou a importância de discussões técnicas que possam gerar dados e protocolos de manejo mais eficazes.
Rede colaborativa busca acelerar geração de conhecimento
Um dos principais resultados do evento foi o lançamento da Rede Colaborativa de Experimentação para o Manejo do Sphenophorus levis. Essa iniciativa reúne empresas, instituições de pesquisa e especialistas em uma estrutura padronizada para validar estratégias de controle e testar novas hipóteses de manejo. O objetivo é acelerar a geração de conhecimento e desenvolver soluções coletivas para mitigar os impactos econômicos da praga.
Além disso, foi apresentado o Guia de Boas Práticas para Manejo do Sphenophorus, que compila as práticas mais atualizadas sobre monitoramento e controle da praga. O guia é uma ferramenta valiosa para técnicos e produtores, oferecendo orientações práticas baseadas em pesquisas e experiências de campo.
Desafios no monitoramento e na mão de obra
Durante o evento, Carlos Daniel, gerente de Agronomia do CTC, apresentou uma pesquisa que abrangeu cerca de 3,8 milhões de hectares de cana colhida. O estudo revelou que os principais obstáculos para o controle do bicudo da cana incluem o monitoramento da infestação e a falta de mão de obra especializada. Esses dados ressaltam a necessidade de investimentos em tecnologia e capacitação no setor.
Os especialistas que participaram do encontro defenderam a adoção de um manejo integrado e de ações de longo prazo. O consultor Evaldo Takizawa, conhecido por seu trabalho no controle do bicudo-do-algodoeiro, destacou a importância de entender o comportamento da praga dentro do ambiente agrícola.
Medidas práticas e condições climáticas
A pesquisadora Leila Dinardo, do Instituto Agronômico (IAC), apresentou avanços sobre a biologia do Sphenophorus levis e sugeriu medidas como a destruição de soqueiras infestadas e a implementação de um período de vazio sanitário de cerca de seis meses. Essas ações são consideradas essenciais para reduzir a pressão da praga.
Rogério Nascimento, consultor da PlaniAgro, também abordou a relação entre as condições climáticas e a incidência do bicudo da cana. Ele observou que, nesta safra, a presença de insetos adultos tem sido maior, exigindo um reforço nas estratégias de monitoramento e controle por parte das usinas e produtores.
O encontro em Ribeirão Preto destacou a união do setor sucroenergético na busca por soluções para os desafios da canavicultura. Com a participação de usinas, universidades e instituições de pesquisa, a iniciativa reforça a importância da colaboração para o desenvolvimento de práticas sustentáveis e eficazes no manejo do bicudo da cana.











