Previa: O mercado de trigo no Sul do Brasil enfrenta dificuldades, com negociações lentas e compradores cautelosos, enquanto os preços internacionais em Chicago apresentam alta significativa. A combinação de fatores locais e globais impacta diretamente a produção e o escoamento do cereal.
Atualmente, o mercado de trigo brasileiro opera em um ritmo lento nas principais regiões produtoras do Sul. As negociações são pontuais, com compradores adotando uma postura cautelosa devido à redução da moagem e à dificuldade no escoamento da farinha. Em contraste, o cenário internacional tem impulsionado as cotações, especialmente com a valorização dos contratos futuros na Bolsa de Chicago, que se deve a expectativas de aumento da demanda global.
Desempenho Regional do Trigo
No Rio Grande do Sul, os pequenos volumes de trigo tipo pão foram negociados a R$ 1.350 por tonelada, com entrega programada para julho. Os moinhos estão abastecidos para o curto prazo, com cobertura total para junho e cerca de 60% das necessidades de julho já garantidas. A baixa atividade industrial tem contribuído para a manutenção de estoques elevados, diminuindo a necessidade de novas aquisições.
Além disso, os produtores estão preocupados com a próxima safra devido aos altos custos de produção e riscos climáticos, especialmente com o possível retorno do fenômeno El Niño. Cooperativas nas regiões Central e Noroeste do estado discutem uma possível redução de até 40% na área cultivada, embora ainda não haja confirmação oficial.
Em Santa Catarina, as negociações permanecem restritas, com negócios de trigo-pão a R$ 1.360 por tonelada FOB e trigo melhorador a R$ 1.400 FOB. Os preços de balcão se mantiveram estáveis em regiões como Rio do Sul e Chapecó, com exceções em Canoinhas e São Miguel do Oeste, onde os preços subiram para R$ 68 e R$ 71,50 por saca, respectivamente.
No Paraná, o mercado continua praticamente parado, com poucos negócios a R$ 1.420 por tonelada CIF na região dos Campos Gerais. O trigo branqueador é ofertado próximo de R$ 1.450 FOB, enquanto as indicações de compra para a safra 2026 variam entre R$ 1.320 e R$ 1.350 FOB.
Impacto do Mercado Internacional
Além disso, a licitação da Argélia para aquisição de trigo e a revisão das projeções de exportação da França para países da União Europeia, divulgada pela agência FranceAgriMer, sinalizam um aumento na demanda internacional. Esses fatores têm mantido os investidores atentos às oscilações do mercado.
As tensões geopolíticas também estão no radar dos investidores. Declarações do presidente dos Estados Unidos durante uma reunião do G7 levantaram dúvidas sobre um possível cessar-fogo envolvendo o Irã, o que pode impactar as cadeias globais de abastecimento. A renovação do acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá (USMCA) é outro ponto de atenção, dado seu papel estratégico nas exportações agrícolas norte-americanas.
Com esse cenário, os contratos futuros de trigo com vencimento em julho fecharam a US$ 5,96 por bushel, um avanço de 1,05% em relação ao pregão anterior. Os contratos para setembro encerraram a sessão a US$ 6,04 por bushel, com valorização de 0,62%. A combinação de uma demanda internacional mais aquecida, ajustes na oferta global e incertezas geopolíticas mantém o mercado em constante vigilância, enquanto produtores e moinhos no Brasil avaliam os rumos da nova safra e as oportunidades comerciais para os próximos meses.










