Previa: O preço da maçã no Brasil continua em queda, pressionado por estoques elevados e um mercado saturado. A situação desafia os produtores, que enfrentam dificuldades para escoar a produção.
O mercado brasileiro de maçã está passando por um momento delicado, com preços em queda devido à alta oferta da fruta armazenada. Apesar da colheita da variedade fuji estar se aproximando do fim, os estoques permanecem acima dos níveis das últimas safras, dificultando o escoamento e limitando a recuperação dos preços.
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que as unidades beneficiadoras ainda lidam com grandes volumes de maçãs armazenadas. Essa situação mantém o mercado abastecido e reduz o poder de negociação dos produtores, que se veem em uma posição desfavorável.
Estoques elevados desafiam comercialização
Pesquisadores do Cepea apontam que a quantidade de maçãs disponível em 2026 é superior à observada nas duas últimas temporadas. Essa abundância aumenta a concorrência entre os fornecedores e pressiona os preços em diversas regiões produtoras.
Embora classificadores e empresas do setor tenham adotado estratégias comerciais mais agressivas e reduzido os preços, ainda enfrentam dificuldades para acelerar as vendas. O cenário atual reflete uma combinação de boa produção e um ritmo de consumo que não é suficiente para absorver rapidamente o estoque acumulado.
Mercado deve permanecer pressionado até agosto
As perspectivas para os próximos meses indicam que o ambiente continuará desafiador para os produtores. Segundo o Cepea, a expectativa é que o mercado permaneça saturado até pelo menos agosto, mantendo as cotações sob pressão.
No entanto, já são observados sinais iniciais de redução dos estoques, um movimento que pode se intensificar em julho. Com a diminuição da disponibilidade da fruta nas câmaras frias, o mercado pode encontrar um equilíbrio mais favorável entre oferta e demanda.
Recuperação dos preços deve ocorrer de forma gradual
A valorização da maçã deve acontecer de maneira lenta nos próximos meses. As primeiras recuperações de preço devem ser moderadas, acompanhando a redução gradual dos estoques e a melhora nas condições de comercialização.
Movimentos mais expressivos de alta são esperados apenas no segundo semestre, quando a oferta disponível tende a diminuir de forma mais consistente, favorecendo a sustentação dos preços ao produtor.
Setor acompanha comportamento da demanda
Além da evolução dos estoques, o desempenho do consumo interno será crucial para a recuperação do mercado. O setor está atento ao comportamento da demanda nos principais centros consumidores, já que a velocidade de escoamento da fruta será fundamental para determinar o ritmo de reação das cotações.
Enquanto isso, produtores e empresas continuam ajustando suas estratégias comerciais para enfrentar um dos períodos de maior pressão sobre os preços da maçã nos últimos anos.











