Prévia: Os custos de produção de milho e soja em Mato Grosso devem aumentar na safra 2026/27, enquanto o algodão apresenta uma queda. O cenário exige atenção redobrada dos produtores em relação à gestão financeira e comercial.
Os dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) revelam que a safra 2026/27 será marcada por comportamentos distintos nos custos de produção das principais culturas agrícolas do estado. O milho e a soja enfrentam aumentos significativos, enquanto o algodão se destaca pela redução nos gastos por hectare.
Aumento nos custos do milho
Para o milho, o custeio foi estimado em R$ 3.799,42 por hectare, representando um aumento de 14,46% em relação à safra anterior. Esse incremento é atribuído principalmente ao encarecimento de fertilizantes, defensivos agrícolas e sementes, que refletem tanto a inflação dos insumos quanto a adoção de tecnologias mais avançadas.
O Custo Operacional Efetivo (COE) para a cultura do milho também apresentou alta, projetando-se em R$ 5.528,49 por hectare, um aumento de 15,03% em comparação ao ano passado. Já o Custo Total (CT) alcançou R$ 7.418,49 por hectare, com um crescimento de 10,30% em relação à safra 2025/26.
Desafios para a soja
Os custos de produção da soja também estão em alta, com estimativas apontando para R$ 4.315,29 por hectare, um aumento de 3,21% em relação à safra anterior. Os principais fatores que contribuíram para essa elevação incluem o aumento de 5,40% nos custos de fertilizantes e corretivos, além de uma alta de 10,97% nos defensivos agrícolas.
Além dos custos crescentes, os produtores estão atentos às condições climáticas, que podem impactar a produtividade e os resultados econômicos. As incertezas climáticas permanecem como um dos maiores riscos para o setor, exigindo planejamento e estratégias adequadas.
Restrição de crédito e suas consequências
A restrição ao crédito rural é outro fator que preocupa os produtores. A limitação dos recursos disponíveis para financiamento pode dificultar os investimentos e levar a ajustes nos pacotes tecnológicos utilizados nas propriedades. O ponto de equilíbrio para a soja, para cobrir os custos de custeio, aumentou 9,13% em relação à temporada anterior.
Com margens mais apertadas, os agricultores precisam monitorar de perto a compra de insumos e as oportunidades de comercialização da safra futura, buscando garantir a rentabilidade em um cenário desafiador.
Algodão em queda
Em contraste com milho e soja, o algodão apresentou uma redução nos custos de produção, estimados em R$ 10.652,39 por hectare, uma queda de 1,14% em relação à safra anterior. Essa diminuição é atribuída à redução nas despesas com manutenção de máquinas, operações mecanizadas e defensivos agrícolas.
Apesar da queda nos custos, a cultura do algodão continua exigindo investimentos elevados, mantendo-se entre as atividades agrícolas que demandam maior capital no Brasil.
Com os custos de milho e soja em alta e um ambiente de incertezas, o planejamento financeiro se torna essencial para os produtores de Mato Grosso. A gestão eficiente dos insumos e a estratégia de comercialização serão fundamentais para garantir a sustentabilidade econômica das propriedades na próxima temporada.











