Previa: Um estudo da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro revela que os mexilhões podem acumular microplásticos, representando um risco à saúde humana. A pesquisa destaca a incapacidade desses moluscos de distinguir entre microalgas e partículas de plástico, levantando preocupações sobre a contaminação alimentar.
Os mexilhões, comuns na culinária brasileira, podem atuar como um vetor de microplásticos para os humanos, conforme aponta um estudo recente da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Publicado na revista Ocean and Coastal Research, a pesquisa evidencia a preocupação crescente com a poluição por plásticos nos oceanos e seus impactos na saúde pública.
Esses moluscos filtradores, que habitam costões rochosos, se alimentam de microalgas, mas não conseguem diferenciar esses organismos de microplásticos, que estão se tornando uma presença alarmante nos ecossistemas aquáticos. A contaminação ocorre quando os mexilhões consomem indiscriminadamente tanto as algas quanto as partículas de plástico presentes na água.
Coleta e Experimentos
Para investigar essa questão, os pesquisadores coletaram mexilhões marrom (Perna perna) na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Em laboratório, simularam condições ambientais para observar como os mexilhões filtravam a água e se alimentavam.
Os moluscos foram divididos em três grupos e expostos a diferentes soluções: apenas microalgas, apenas microplásticos e uma mistura de ambos. Após uma hora, a análise revelou que os mexilhões consumiram os materiais de forma indiscriminada, indicando uma falta de seletividade na alimentação.
Os resultados mostraram que, no tanque com a mistura, os mexilhões deixaram cerca de 48% das microalgas e 52% dos microplásticos, evidenciando a incapacidade de distinguir entre os dois tipos de partículas.
O Problema dos Microplásticos
Os microplásticos, fragmentos de plástico que se quebram ao longo do tempo, são uma preocupação crescente em todo o mundo. Eles podem se desprender de diversos tipos de lixo, como embalagens e pneus, e estão presentes em ambientes aquáticos, no solo e até no ar.
Pesquisas recentes indicam que a contaminação por microplásticos não se limita apenas a organismos marinhos. Estudos encontraram essas partículas em amostras de peixes e até em placentas humanas, levantando questões sobre os efeitos à saúde.
A Organização Mundial da Saúde reconhece a gravidade da poluição por microplásticos e enfatiza a necessidade de mais pesquisas para entender os impactos desses contaminantes na saúde humana.
Riscos à Saúde
A professora Raquel Neves, coautora do estudo, alerta que os microplásticos podem acumular contaminantes químicos perigosos. A ingestão frequente de mexilhões contaminados pode aumentar a exposição a esses riscos, dependendo da dieta de cada indivíduo.
Ela destaca que o cozimento dos alimentos não é suficiente para eliminar os contaminantes presentes nos mexilhões, o que torna a situação ainda mais preocupante para a saúde pública.
Medidas Necessárias
Os pesquisadores da Unirio defendem a implementação de políticas públicas que visem reduzir a poluição por plásticos nos oceanos. Ações práticas, como a restrição ao uso de plásticos descartáveis e o monitoramento das áreas de maricultura, são essenciais para proteger as comunidades costeiras e garantir a segurança alimentar.
Com a crescente preocupação sobre a contaminação por microplásticos, é fundamental que a sociedade e os governos se mobilizem para enfrentar esse desafio ambiental e de saúde pública, assegurando um futuro mais sustentável para os oceanos e para a alimentação humana.











