Previa: A bioeconomia surge como uma nova oportunidade para o agronegócio brasileiro, prometendo transformar a forma como os produtores rurais geram valor e renda. Com práticas sustentáveis e inovações tecnológicas, o setor pode ampliar suas fontes de receita e se adaptar às exigências do mercado global.
O agronegócio brasileiro se destaca globalmente, impulsionado por avanços em produtividade e inovação. No entanto, uma nova fase de transformação se inicia, onde a competitividade não se baseia apenas na produção, mas também na capacidade de gerar valor a partir de ativos ambientais e práticas sustentáveis, segundo Giovana Araújo, sócia-líder da KPMG para o setor de Agronegócio.
A bioeconomia se apresenta como uma solução viável para aumentar a rentabilidade das propriedades rurais. Com margens operacionais pressionadas por custos crescentes e volatilidade de mercado, a necessidade de diversificação das fontes de receita se torna evidente. Em algumas regiões, o déficit de rentabilidade pode ultrapassar R$ 1 mil por hectare, o que exige uma abordagem inovadora para a geração de valor.
Agricultura regenerativa: um novo paradigma
Um dos pilares dessa nova economia é a agricultura regenerativa, que vai além da recuperação de áreas degradadas. Essa abordagem envolve práticas que melhoram a qualidade do solo, aumentam a retenção de água e promovem a resiliência climática. Entre as técnicas mais comuns estão o plantio direto, a rotação de culturas e a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).
Essas práticas não apenas fortalecem a infraestrutura biológica das propriedades, mas também contribuem para a eficiência produtiva a longo prazo. Um levantamento da Agrosmart, em parceria com outras instituições, revelou que 78,9% dos produtores utilizam plantio direto e 75,3% adotam plantas de cobertura, embora 52,1% não conheçam formalmente o conceito de agricultura regenerativa.
Mercado de carbono e áreas preservadas
A agricultura regenerativa também abre portas para o mercado de carbono, permitindo que os produtores monetizem a captura de carbono no solo. Apesar do mercado ainda estar em amadurecimento, projetos estruturados já demonstram potencial para gerar receitas adicionais.
Além disso, as áreas preservadas nas propriedades rurais, que somam cerca de 280 milhões de hectares no Brasil, estão sendo reavaliadas como ativos econômicos. Mecanismos como pagamentos por serviços ambientais começam a criar oportunidades para monetizar atributos que antes não eram valorizados.
A sustentabilidade, por sua vez, pode reduzir custos financeiros. Propriedades que adotam práticas regenerativas tendem a ter menor percepção de risco, facilitando o acesso ao crédito e condições mais favoráveis de financiamento. Pequenas reduções nos custos de capital podem resultar em economias significativas ao longo do tempo.
O papel da tecnologia na bioeconomia
Para que a bioeconomia se consolide, é fundamental desenvolver mecanismos confiáveis de mensuração e validação dos ativos ambientais. Tecnologias como monitoramento via satélite e inteligência artificial serão essenciais para garantir a transparência e a credibilidade das iniciativas.
O futuro do agronegócio brasileiro está em uma mudança de paradigma, onde o valor do hectare não será medido apenas pela sua capacidade produtiva, mas também pela sua habilidade de regenerar e preservar. Essa transformação é impulsionada pelas exigências do mercado global e pelo crescente interesse em ativos sustentáveis, sinalizando uma nova era para o setor.











