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6 curiosidades sobre o cruise 2027 da Gucci

O desfile aconteceu em plena Times Square, ocupando um trecho da Broadway entre as ruas 46th e 48th. Ao invés de isolar a passarela da cidade, a Gucci incorporou...

O desfile aconteceu em plena Times Square, ocupando um trecho da Broadway entre as ruas 46th e 48th. Ao invés de isolar a passarela da cidade, a Gucci incorporou a própria lógica visual de Nova York ao show: luzes agressivas, excesso de informação, , trânsito, multidão e aquela sensação de movimento permanente. Antes das roupas entrarem, os convidados assistiram a uma sequência de comerciais fictícios da maison, com produtos e serviços inventados: água da Gucci, companhia aérea, carros, pets e mais, como se a marca tivesse se expandido para todas as áreas da vida contemporânea.

A referência à série “Men in the Cities”, do artista Robert Longo, ajuda a entender essa construção. Criado nos anos 70 e 80, o trabalho mostra figuras de roupa social em posições dramáticas, quase desequilibradas, como se os corpos tivessem sido capturados no meio de um impacto invisível. Essa tensão aparece em toda a passarela. Os modelos parecem sempre no meio do caminho para algum lugar, carregando objetos, segurando casacos, atravessando a cidade.

E é aí que o styling fica mais interessante. Em vez de acessórios tradicionais de desfile, entram celulares, crachás, notebooks, livros, flores e copos térmicos carregados com certa pressa. Até os casacos parecem apenas jogados sobre o corpo, reforçando essa ideia de uma roupa que é atravessada pela rotina.

Os materiais, que trabalham essa confusão entre o cotidiano e a construção de luxo, também são a base das roupas. Como o jeans também encerado, várias vezes, para reproduzir a aparência de um denim emborrachado. De longe, ele parece casual. De perto, revela uma construção precisa e sofisticada. Seguindo a mesma linha, o vestido usado por Anok Yai, que aparentava ser feito de couro, foi inteiramente confeccionado em paetês; e um vestido com motivo Flora é desenvolvido em couro e todo pintado à mão.

No fim, o cruise 2027 parece interessado em capturar a sensação de estar em Nova York – e em movimento. A pressa, o excesso visual, o glamour, o cansaço, a performance social e a ideia de que, ali, o cotidiano é o grande protagonista.

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