
Com mais de sete décadas de presença na Croisette, o Brasil construiu uma história consistente no Festival de Cannes, o mais importante do mundo. Mais de 40 indicações à Palma de Ouro, sete prêmios nas categorias principais e nomes que definiram gerações do cinema nacional. Com a 79ª edição, que começou nesta terça-feira (12.05), é hora de revisitar os momentos que fizeram o país brilhar na Riviera Francesa.
O Cangaceiro (1953)
Dirigido por Lima Barreto, O Cangaceiro foi o primeiro filme brasileiro a vencer um prêmio em Cannes, numa categoria hoje extinta: Melhor Filme de Aventura. A história do cangaceiro Galdino e seu bando, ambientada no sertão nordestino, também foi o primeiro longa nacional a ter reconhecimento internacional. Um marco que abriu caminho para tudo que viria depois.
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O Pagador de Promessas (1962)
Com direção de Anselmo Duarte e estrelado por Leonardo Villar, O Pagador de Promessas é até hoje o único filme brasileiro a vencer a Palma de Ouro, o prêmio máximo do festival. A história de Zé do Burro, um homem simples do sertão baiano que carrega uma enorme cruz de madeira até Salvador para cumprir uma promessa a Santa Bárbara, comoveu o júri e colocou o Brasil no topo do cinema mundial. O filme também foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1963.
O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969)
Sete anos depois da Palma, o Brasil voltou ao pódio com Glauber Rocha, um dos maiores cineastas da história do país. O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro lhe rendeu o prêmio de Melhor Diretor. O filme, que retoma o personagem Antônio das Mortes de Deus e o Diabo na Terra do Sol, é uma das obras centrais do Cinema Novo e uma das mais político e esteticamente radicais já realizadas no Brasil.
Eu Sei Que Vou Te Amar (1986)
Dirigido por Arnaldo Jabor, o filme levou Fernanda Torres ao prêmio de Melhor Interpretação Feminina em Cannes, tornando-a a primeira brasileira a vencer um prêmio de atuação no festival. O reconhecimento foi compartilhado com a alemã Barbara Sukowa. Mais de três décadas depois, Torres voltaria ao centro das atenções internacionais com sua indicação ao Oscar por Central do Brasil.
Linha de Passe (2008)
Dirigido por Walter Salles e Daniela Thomas, Linha de Passe acompanha quatro irmãos da periferia de São Paulo criados pela mãe, interpretada por Sandra Corveloni. A atuação dela rendeu o prêmio de Melhor Interpretação Feminina, tornando-a a segunda brasileira a vencer na categoria. O filme foi ovacionado por nove minutos após sua exibição na Croisette, e a vitória de Corveloni, em sua estreia no cinema depois de mais de 20 anos de teatro, é um dos momentos mais emocionantes da história do Brasil em Cannes.
Bacurau (2019)
Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles levaram Bacurau ao festival e voltaram com o Prêmio do Júri, dividido com o francês Les Misérables. O filme, ambientado num pequeno povoado do sertão nordestino que some misteriosamente dos mapas, é uma fábula política intensa que chegou ao festival num momento de acirramento político no Brasil e encontrou no júri e no público uma recepção entusiasmada.
O Agente Secreto (2025)
Na edição do ano passado, Kleber voltou à Croisette pela terceira vez e desta vez saiu com dois prêmios: Melhor Diretor e o prêmio de interpretação masculina para Wagner Moura. O thriller político ambientado nos anos 70, durante a ditadura militar brasileira, foi um dos filmes mais comentados da edição e rendeu ao Brasil sua maior colheita em uma única edição do festival.




