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Crítica | Mortal Kombat 2 (2026): diversão sem muita personalidade

Mortal Kombat 2” já começa ganhando pontos por entender que o público, independentemente de serem fãs dos games ou não, foi ao cinema pela pancadaria. A sequência dirigida por Simon McQuoid finalmente aproxima a adaptação da estrutura clássica dos jogos com o torneio de combate mortal ganhando protagonismo. Qualquer fragmento de história funciona apenas como um pretexto para conectar uma luta à próxima.

Pensando em não se levar a sério demais, o roteirista Jeremy Slater coloca Johnny Cage (Karl Urban) no centro da narrativa. A ideia é focar em um personagem mais bem-humorado, e o passado como astro de filmes de ação dos anos 90 funciona como um deboche autoconsciente da própria franquia. Contudo, esse humor parece inicialmente deslocado, sobretudo quando é cercado de diálogos excessivamente explicativos e atuações pouco inspiradas. Quando o longa finalmente relaxa e passa a aceitar a própria natureza absurda, Urban começa a se encaixar melhor, especialmente nas interações com Kano (Josh Lawson) e Baraka (CJ Bloomfield).

Essa hesitação em abraçar a galhofa define a experiência de assistir. Existe uma tentativa constante de tratar certos conflitos com seriedade, especialmente tudo que envolve a vingança de Kitana (Adeline Rudolph) contra Shao Kahn (Martyn Ford). Essa trama acaba tomando conta da narrativa, e a leveza trazida no início se torna bem mais pontual. Enquanto isso, alguns personagens até mais reconhecíveis atravessam a história sem qualquer arco relevante.

A escala de tudo também parece ser menor do que deveria. Ouvimos o tempo todo sobre deuses antigos e grandes exércitos, mas a Exoterra não transmite qualquer grandiosidade. Boa parte do filme se passa em corredores escuros e salões genéricos, isso sem falar da menor praça pública de que se tem notícia. Há uma sensação constante de artificialidade, ainda que os efeitos digitais consigam reproduzir os poderes clássicos dos personagens com fidelidade. O excesso de sangue existe, mas até mesmo os fatalities, elemento central da identidade da franquia, aparecem pouco e sem o impacto que deveriam.

Apesar de tudo, seria injusto dizer que o filme não entrega entretenimento. Para uma produção chamada “Mortal Kombat”, existe ao menos um compromisso em colocar seus personagens para lutar com frequência, embora quantidade aqui não seja sinônimo de qualidade. As cenas de ação não são tão eficientes em adaptar a agressividade e a sanguinolência que fizeram os games se tornarem tão famosos. Alguns lampejos se salvam, como o confronto envolvendo Liu Kang (Ludi Lin) e Kung Lao (Max Huang), cujos golpes e uso de habilidades especiais realmente empolgam. Em tempos de obras como John Wick (que inclusive é citado no longa), faz falta um mínimo de inventividade tanto nas coreografias quanto na forma de filmá-las.

“Mortal Kombat 2” funciona melhor quando abandona qualquer pretensão dramática e aceita ser uma sucessão de guerreiros extravagantes trocando golpes violentos. Existe diversão, mas falta intensidade na ação e na execução. Falta coragem para mergulhar totalmente na brutalidade que sempre definiu a franquia de jogos.