Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Tudo o que explorar em Veneza durante a Bienal 2026


Um conjunto de ilhas em uma lagoa varrida pelo vento, Veneza é uma paisagem aquática improvável repleta de tesouros inesperados. Para quem visita pela primeira vez, um roteiro pelos pontos mais conhecidos é altamente recomendado: esses lugares são famosos por boas razões. Mas a cidade não é apenas uma coleção de obras-primas artísticas e arquitetônicas. É também um lugar de atmosfera extraordinária, especialmente para quem consegue escapar das multidões dos circuitos principais e explorar os cantos mais silenciosos e contemplativos. Com a 61ª Bienal de Arte como pano de fundo, de 9 de maio a 22 de novembro, a seleção a seguir propõe uma experiência completa da cidade, dentro e fora dos pavilhões.

Sonhar numa gôndola
Passeio de gândola
Getty Images
É um clichê, sem dúvida. Mas ir a Veneza e não andar de gôndola é como visitar Roma sem ver o Coliseu. Escolha a embarcação, acomode-se nas almofadas e deslize pelos canais tranquilos, admirando os palazzi esplêndidos ao longo do percurso. A vista a partir da linha d’água é uma experiência completamente diferente. Percorrer o Grand Canal entre embarcações maiores pode ser intimidador. Explorar as vias navegáveis mais estreitas e os cantos quietos é outra coisa. Da gôndola, os mecanismos da Veneza aquática ganham outro sentido: os pequenos cais privados onde os moradores atracam seus barcos e as grandes entradas d’água por onde as gôndolas deslizam para dentro dos andares térreos inundados dos grandes palazzi.
Jantar num restaurante renascentista
Osteria Antico Dolo
Divulgação
Os venezianos são experts em criar restaurantes e bacari com aquela cara de tempo parado. Muitos deles, por mais acolhedores e deliciosos que sejam, são recriações bem-feitas. O original existe, porém, e se concentra sobretudo na área do mercado de Rialto, onde, ao longo de toda a história da cidade, mercadorias chegavam e comerciantes famintos buscavam sustento. Há disputa pelo título de restaurante mais antigo de Veneza. Le Poste Vecie (@anticatrattoriapostevecie) afirma servir comida desde 1500; a Cantina Do’ Mori cita 1492 como data de abertura; mas a Osteria Antico Dolo (@anticodolove), fundada em 1434, leva o prêmio. Inicialmente um bordel que servia refeições revigorantes aos clientes, há muito tempo fez da comida seu diferencial, e segue servindo os pratos de miúdos pelos quais é conhecida.
Pegar o vaporetto até Burano
ilha de Burano
Getty Images
A ilha de Burano, a uma hora de vaporetto pela lagoa a partir da ilha principal, é um mosaico de casas de pescadores coloridas e baixas que se alinham ao longo do porto, com seus tons vivos refletindo na água. O tempo parece congelado. Durante o dia, recebe sua parte de visitantes; à noite, é tranquila e silenciosa, ideal para um passeio ou um aperitivo ao entardecer. A habilidade tradicional da ilha é a renda. Os padrões intrincados e seculares podem ser vistos no encantador Museo del Merletto, onde ocasionalmente mulheres locais se reúnem para praticar o ofício.
Admirar o Grand Canal
Grand Canal
Getty Images
O Grand Canal, a grande via de Veneza, segue graciosamente seu traçado em S invertido até a lagoa aberta, passando por elegantes palazzi, museus, edifícios municipais e hotéis luxuosos. Pode ficar agitado nos horários de pico, com táxis aquáticos e vaporetti cruzando em alta velocidade; mas depois do almoço, quando muitos moradores descansam, fica um pouco mais calmo. Ao deslizar pelo canal, olhe para cima: é possível entrever tetos afrescados de palácios e magníficos lustres de vidro de Murano. Passeios de táxi privado incluem champagne e finger foods a bordo. Alternativamente, a linha de vaporetto 2 é uma forma mais econômica de fazer o mesmo trajeto.
Comprar no mercado da Ponte di Rialto
Ponte di Rialto
Getty Images
Entre as mais de 400 pontes do arquipélago veneziano, a Ponte di Rialto, de pedra branca e geometria precisa, é provavelmente a mais imponente. Não é apenas uma ponte majestosa: é também uma área comercial movimentada, com boutiques de artesãos, incluindo joalherias e lojas de seda com criações feitas à mão, incorporadas ao longo de sua extensão. Na base noroeste da ponte, a grandiosidade dá lugar a algo muito mais humilde. Donas de casa e chefs estrelados Michelin dividem espaço todas as manhãs nas praças cheias de bancas de frutas e legumes frescos, além de peixes e uma variedade extraordinária de frutos do mar no pavilhão neogótico do mercado de peixe no Campo della Pescaria. Boa parte dos produtos vem da área da lagoa, em especial da ilha produtora de legumes de Sant’Erasmo.
Arrepiar na Ponte dei Sospiri
Ponte dei Sospiri
Getty Images
O lado sombrio da história acidentada de Veneza está bem encapsulado na Ponte dei Sospiri, de pedra branca cremosa. Não se deixe enganar pelo nome: não é um lugar romântico para casais. Pelo contrário, essa passagem arqueada que conecta o Palazzo Ducale à antiga prisão era por onde os condenados à morte faziam seu último trajeto até as celas úmidas, soltando suspiros de tormento ao longo do caminho. Pode ser visitada nos tours do Palazzo Ducale ou admirada à distância a partir da orla da lagoa na Riva degli Schiavoni.
Se perder nas calli
Ruas de Veneza
Getty Images
Veneza é um emaranhado de ilhas, divididas por canais e unidas por ponti e calli, pontes e vielas, pontuadas por campi que variam do grandioso ao escondido e perdido no tempo. Não há maneira melhor de descobrir a cidade do que a pé. Nas áreas centrais mais movimentadas, em torno de São Marcos e do Rialto, as calli barulhentas e cheias de gente são ladeadas por cafés e boutiques, joalherias e restaurantes. Nos bairros residenciais mais quietos, cada passo ecoa entre as paredes dos edifícios históricos. Para absorver o espírito veneziano, ajuda se perder. Lembre-se, porém: essas vielas pitorescas e pontes encantadoras são artérias de transporte essenciais para os moradores no seu cotidiano. Eles agradecem se você não bloquear o caminho ao parar para tirar fotos.
Conhecer os sopradores de vidro de Murano
Murano
Getty Images
No final do século XIII, após um incêndio a mais nas fornalhas de vidro ter causado estragos, a longa tradição vidraria de Veneza foi banida da cidade para a ilha menor de Murano. Lá permanece até hoje, com habilidades e segredos de ofício sendo transmitidos de geração em geração. O Museo del Vetro reúne essa arte milenar, com criações que vão do mais simples para uso cotidiano às obras-primas artísticas. Visitas a algumas das fornalhas da ilha estão disponíveis, e dezenas de lojas vendem peças de todos os tipos e padrões. Atenção: o vidro legítimo de Murano tem um preço elevado, então qualquer coisa barata provavelmente não foi feita na ilha.
Descer aos subterrâneos
Cripta de San Zaccaria
Getty Images
Numa cidade sobre a lagoa, ir ao subsolo sem encontrar água é quase impossível. As criptas, tão comuns nas igrejas de outras partes da Itália, são raras aqui, e dependendo da época do ano, do nível das marés e do estado de conservação, as poucas que existem podem facilmente ser inundadas. Visitar a mais famosa de todas, sob a Basílica de São Marcos, onde o corpo de São Marcos Evangelista descansou, exige um guia privado ou uma empresa que ofereça esse acesso fora do horário regular. Na próxima San Zaccaria, uma passarela elevada conduz os visitantes sobre um espelho d’água que reflete os arcos do século X acima. A cripta menos conhecida fica em San Simeon Piccolo, a igreja de cúpula verde logo do outro lado do canal da estação ferroviária principal de Veneza. As paredes são cobertas com afrescos dos séculos XVIII e XIX.
Petiscar como um local
Al Timon
Divulgação
Os venezianos são pessoas de petiscos e goles, especialmente ao entardecer, quando o trabalho acabou e há amigos para encontrar pelo caminho de volta para casa. O bar tradicional veneziano é chamado de bacaro, lugar simples onde uma ombra, um pequeníssimo copo de vinho branco ou tinto, ou um spritz, a mistura de prosecco, bitter e água com gás, é acompanhado por um pequeno prato de cicheti, as delícias que são a resposta veneziana ao tapas. Experimente crostini com baccalà mantecato, fígado de vitela com cebola, almôndegas fritas ou moeche ensopadas, o caranguejo de casca mole local. No Al Timon, se tiver sorte, dá para conseguir um lugar para petiscar no barco atracado bem na porta. No Al Squero, é possível se apoiar na mureta à beira do canal e observar os construtores de gôndolas trabalhando no estaleiro do outro lado. @altimon @al_squero
Explorar a Piazza San Marco
Piazza San Marco
Getty Images
Napoleão teria descrito a Piazza San Marco como “a sala de estar da Europa”. Hoje, é mais parecida com um café, com uma taxa considerável pelo consumo nas mesas da calçada, no coração de um museu extraordinário. Para começar, há a própria basílica com cúpulas, com seus cavalos de bronze empinados na varanda e hectares de mosaicos reluzentes no interior. Ao lado, o Palazzo Ducale tem espaços públicos dourados e pintados que contrastam fortemente com corredores estreitos e pequenos escritórios onde burocratas trabalhavam nas sombras para manter as engrenagens da poderosa República Veneziana. Há também as infames prisões. Ambos podem ser visitados no tour Itinerari Segreti, reservável pelo site do Visitmuve. Na piazza, o campanile oferece vistas espetaculares do alto. Os mouros com seus enormes martelos no topo da Torre dell’Orologio batem as horas há mais de 500 anos. No extremo oposto da praça, em frente à basílica, o Museo Correr é o museu de Veneza, repleto de arte, mapas, mobiliário e curiosidades históricas para situar a cidade em contexto cronológico.
Ver Veneza de cima
Vista aérea da ilha com a Igreja de San Giorgio Maggiore, fotografada do alto do Campanile di San Marco
Getty Images
A uma curta viagem de vaporetto das multidões da Piazza San Marco fica a pequena ilha de San Giorgio. Quando se está imerso no labirinto das ruas de Veneza, é difícil ter noção do conjunto. Suba ao campanile da ilha de San Giorgio Maggiore e tudo se encaixa. Ali, aos seus pés, estão as cúpulas da Basílica de São Marcos e a piazza com seu próprio campanile, que também pode ser subido, mas com filas muito maiores e sem a mesma distância. Em dias claros, o conjunto das ilhas venezianas com o grande traçado em S invertido do Grand Canal tem ao fundo as torres das Dolomitas, cobertas de neve nos meses mais frios.
Revistas Canal da Vogue
Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o novo canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!