CALDAS NOVAS (GO) – O Fórum de Caldas Novas sedia, nesta quarta-feira, a audiência de instrução e julgamento de Cleber Rosa de Oliveira, acusado de assassinar a corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos. O crime, ocorrido em dezembro do ano passado, chocou o estado de Goiás pela brutalidade e pela motivação ligada a uma suposta perseguição profissional e inveja.
Durante a audiência, o juiz ouvirá as testemunhas de acusação, os depoimentos da defesa e, por fim, interrogará o réu. Esta fase é processualmente decisiva: com base no que for apresentado, o magistrado decidirá se Cleber será pronunciado para enfrentar o Tribunal do Júri (júri popular).
Perseguição e Conflito Profissional
Diferente de casos de violência doméstica comuns, a investigação aponta que o crime foi motivado por uma competição imobiliária agressiva. Daiane, descrita como uma profissional detalhista e bem-sucedida, administrava diversas unidades no condomínio onde Cleber era síndico.
Segundo familiares e a acusação, a vítima vinha sofrendo constantes episódios de assédio moral e perseguição por parte do réu. A tese é de que a honestidade de Daiane ao lidar com as contas dos apartamentos e sua competência no setor teriam gerado um clima de hostilidade que culminou na execução.
O Histórico das Prisões
O caso teve uma reviravolta no final de janeiro, quando Cleber foi preso preventivamente. Na ocasião, seu filho, Maicon Douglas, também foi detido por suspeita de participação ou obstrução de justiça. No entanto, Maicon foi colocado em liberdade posteriormente, após a justiça entender que não havia provas suficientes de sua participação direta na morte da corretora.
Provas e Dinâmica
A acusação deve sustentar que Cleber agiu com premeditação, aproveitando-se de “pontos cegos” nas câmeras do prédio e manipulando a cena do crime. O corpo de Daiane foi encontrado semanas após o desaparecimento, em avançado estado de decomposição, sendo identificado apenas por exames de DNA dentário.
A defesa do síndico, por sua vez, deve tentar desqualificar as qualificadoras do crime ou alegar legítima defesa após suposta discussão, tese que é fortemente rebatida pelos advogados da família de Daiane e pelos laudos periciais de luminol, que encontraram sangue em salas privativas do acusado.
Próximos Passos
Caso o juiz decida pela pronúncia, Cleber Rosa de Oliveira permanecerá detido até a data do julgamento popular, onde sete cidadãos decidirão sua sentença. A pena para homicídio qualificado e feminicídio pode ultrapassar os 30 anos de reclusão.




